Pesquisa aponta que doença acomete seis em cada grupo de dez pessoas no Brasil
Os principais fatores causadores da obesidade são as condições socioeconômicas e a falta de atividades físicas. Além destas, o problema também está relacionado à idade. É o que aponta pesquisa divulgada pela FGV (Fundação Getulio Vargas). De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que corroboram a pesquisa, há no Brasil taxa de obesidade na casa de 20,1% da população, estimada pelo instituto em cerca de 111 milhões de habitantes. Ou seja, seis em cada grupo de dez brasileiros estão acima do peso.
Projeção feita por pesquisadores da fundação relativa ao crescimento da obesidade no Brasil constatou que, caso não haja soluções para o problema e esse índice continue aumentando, daqui a menos de dez anos essa taxa deve atingir quase 25% da população (24,5%). Segundo o estudo, alguns grupos da sociedade dentro desse percentual são mais vulneráveis à complicação. A OMS (Organização Mundial da Saúde) classifica a obesidade como doença crônica, e define como “acúmulo normal ou excessivo de gordura no corpo”.
A maior prevalência da obesidade, aponta o estudo, está no sexo feminino, com o masculino liderando no sobrepeso. A taxa delas é de 22% de obesidade e 34% de sobrepeso, enquanto entre os homes esses números ficam em 18% e 39%, respectivamente.
Embora exista a opinião de que a obesidade esteja associada à ingestão de determinados alimentos, o estudo aponta que esse fator, na verdade, tem pouca relevância no problema. Ainda segundo o levantamento, o estilo de vida, o modo de trabalhar e mora em zonas urbanas aumentam a probabilidade de sobrepeso. O estudo foi feito sobre dados coletados em duas pesquisas do próprio IBGE, a PNS (Pesquisa Nacional em Saúde) e a POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares).
O portal da FGV informa que a prevalência do sobrepeso e da obesidade tem sido motivo de grande preocupação de autoridades de saúde de todo o mundo, e o Brasil não seria exceção à regra. E o estudo revela que, embora a obesidade tenha aumentado tanto em nações abastadas quanto nas menos favorecidas economicamente, há a constatação de que existe um desequilíbrio entre consumo e gasto de calorias nas populações de renda mais baixa.
O estudo ainda mostra que uma vulnerabilidade com maior presença nas camadas menos favorecidas da sociedade está relacionada ao maior número de alimentos pobres em nutrientes, mas com alta densidade calórica, que, por isso, tornam-se mais baratos e mais acessíveis. A baixa escolaridade dessa camada também é fator que contribui para a limitação na busca por informações nutricionais.
NA INFÂNCIA
O levantamento da FGV também alerta para a obesidade na infância, que atinge 6% da população entre crianças e adolescentes. Segundo a pesquisa, a obesidade nessa faixa etária está bastante associada à prevalência da doença ao longo de toda vida de uma pessoa. Há sinais de que hormônios contidos no leite materno colaboram para saciar a fome do bebê, estratégia que serviria para diminuir riscos de doenças crônicas, como a própria obesidade.
Na velhice, segundo o estudo, o aumento da obesidade pode estar relacionado ao passar dos anos, à medida em que a pessoa vai ficando mais velha. Em relação às doenças relacionadas à obesidade, hipertensão, diabetes e colesterol alto, por exemplo, chegam a ser duas vezes maiores em pessoas obesas. Além destas, doenças respiratórias são mais frequentes entre pessoas consideradas obesas. Ouras doenças, como artrite a problemas de coluna ou nas costas, também atingem boa parcela dessa população.
Para finalizar, o estudo informa que a ingestão de leguminosas, como feijão e ervilha, e oleaginosas, como castanhas e amendoins, está relacionada a chances menores de ganho de peso. Uma das manias no Brasil, o churrasco é um grande parceiro para o excesso de peso e a consequente obesidade, principalmente junto com bebidas alcoólicas. A falta de atividades físicas também contribui, segundo a FGV.




